Receita Viva · Infeções sexualmente transmissíveis
Infeções sexualmente transmissíveis: sintomas, testes e tratamento
As infeções sexualmente transmissíveis (IST) são infeções causadas por bactérias, vírus ou parasitas que passam de uma pessoa para outra durante relações sexuais vaginais, anais ou orais. As mais frequentes em Portugal são a clamídia, a gonorreia, a sífilis, o vírus do papiloma humano (HPV), o herpes genital, a tricomoníase e o VIH.
Neste artigo
- O que são as IST e quais são as mais frequentes
- Sintomas que devem levar a testar (e a ausência deles)
- Onde fazer o rastreio em Portugal e quando repetir
- Tratamento: porque é que uma IST não se resolve por formulário
- Contraceção e proteção: o que cada método cobre
- O que a Receita Viva pode e não pode fazer neste tema
Esta página explica o que costuma indicar uma IST, como se confirma o diagnóstico, onde fazer testes e o que uma avaliação online por formulário resolve e não resolve. Convém dizê-lo já: uma suspeita de IST não se resolve preenchendo um formulário. O diagnóstico depende de análises, algumas infeções tratam-se com medicamentos administrados no local por um profissional e a avaliação do parceiro faz parte do plano.
Se tem sintomas agora, o caminho é um centro de saúde, um CAD ou, em situações urgentes, um serviço de urgência. A Receita Viva é um serviço da MEDINOW Sp. z o.o., empresa sediada na Polónia, e trabalha na área da contraceção e da saúde sexual: avaliamos por escrito pedidos relacionados com a manutenção ou a mudança de método contracetivo. Não fazemos rastreio nem tratamos infeções ativas, e dizemos isto antes de qualquer pagamento.
O que são as IST e quais são as mais frequentes
As IST agrupam infeções muito diferentes entre si. As bacterianas - clamídia, gonorreia e sífilis - são curáveis com tratamento adequado, mas podem deixar sequelas se ficarem meses sem diagnóstico, sobretudo ao nível da fertilidade. As virais comportam-se de outra forma: o VIH controla-se com terapêutica antirretroviral continuada, o herpes genital pode reativar-se periodicamente e a maioria das infeções por HPV resolve-se sem tratamento, embora alguns tipos estejam associados a lesões do colo do útero. A tricomoníase, causada por um parasita, é curável e é frequentemente esquecida nos rastreios.
Esta variedade importa por uma razão prática: não existe um teste único que cubra tudo. Cada infeção tem o seu método de deteção, o seu intervalo entre a exposição e o momento em que a análise passa a ser fiável, e o seu tratamento. Pedir análises ao acaso costuma dar falsa segurança.
O que faz sentido é descrever a situação concreta - que tipo de relação houve, há quanto tempo e com que queixas - a um profissional que escolha os testes certos.
Em Portugal, a clamídia é particularmente frequente em pessoas jovens e a sífilis tem vindo a aumentar nos últimos anos, o que torna o rastreio relevante mesmo quando não há qualquer sintoma.
Sintomas que devem levar a testar (e a ausência deles)
Muitas IST não dão sintomas nenhuns. Uma parte substancial das infeções por clamídia decorre em silêncio, e o mesmo acontece com a gonorreia em localizações faríngea e retal. Por isso, a ausência de queixas não é argumento para não testar depois de uma relação desprotegida com um parceiro cujo estado se desconhece.
Quando existem, os sinais mais comuns são corrimento diferente do habitual, ardor ou dor a urinar, dor durante as relações, dor pélvica ou testicular, feridas, vesículas ou verrugas na região genital, anal ou oral, comichão persistente e hemorragias fora do período menstrual. A sífilis inicial pode manifestar-se por uma ferida indolor que desaparece sozinha, o que leva muita gente a concluir, erradamente, que o problema se resolveu.
Febre, gânglios aumentados e erupções na pele algumas semanas após uma exposição também merecem avaliação.
Alguns sinais exigem observação no próprio dia e não uma avaliação à distância: dor pélvica intensa, febre alta, dor testicular aguda, incapacidade de urinar ou qualquer destes sintomas durante a gravidez. Nestas situações, contacte a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou dirija-se a um serviço de urgência. Uma avaliação assíncrona, seja nossa ou de quem for, não é o instrumento certo para um quadro agudo.
Onde fazer o rastreio em Portugal e quando repetir
O rastreio de IST pode ser feito no centro de saúde da área de residência, através do médico de família, e nos Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce da Infeção VIH (CAD), onde o teste do VIH é gratuito e confidencial, muitas vezes anónimo e sem marcação prévia; vários destes centros testam também sífilis e hepatites.
Existem ainda consultas de saúde sexual e reprodutiva, associações comunitárias que fazem testes rápidos e laboratórios privados para quem prefere pagar e não esperar.
O momento do teste conta. Cada infeção tem um intervalo inicial em que o organismo ainda não produz aquilo que a análise procura, pelo que um resultado negativo obtido demasiado cedo não encerra o assunto. É por isso que, depois de uma exposição de risco, é habitual repetir análises algumas semanas mais tarde, mesmo que a primeira ronda tenha sido negativa. Quem tem vários parceiros ou parceiros novos beneficia de rastreio periódico, independentemente de sintomas.
Se a exposição foi nas últimas horas e envolveu risco de VIH, não espere pelo rastreio programado: a profilaxia pós-exposição é avaliada em serviço de urgência hospitalar e deve iniciar-se o mais cedo possível, em regra dentro das primeiras 72 horas.
Tratamento: porque é que uma IST não se resolve por formulário
O tratamento depende do agente identificado, e é aqui que a avaliação online tem um limite claro. As infeções bacterianas tratam-se com antibióticos escolhidos em função do resultado laboratorial e dos padrões de resistência locais. A gonorreia, em particular, apresenta resistências crescentes e o esquema recomendado inclui frequentemente medicação administrada por injeção, num serviço de saúde, e não em casa.
Prescrever à distância a partir de uma descrição de sintomas arriscaria tratar a infeção errada, mascarar outra e favorecer resistências.
Há outros elementos do tratamento que não cabem num documento em PDF: a avaliação e o tratamento dos parceiros sexuais dos últimos meses, a suspensão das relações durante o período indicado, o rastreio das infeções que costumam surgir em conjunto e, em alguns casos, um teste de confirmação de cura semanas depois.
As infeções virais seguem outra lógica: o VIH exige acompanhamento especializado continuado e o herpes genital pode necessitar de terapêutica antiviral pontual ou supressiva, decidida em consulta médica.
Por isso não aceitamos pedidos de antibiótico para IST suspeitas através do nosso formulário, e também não vendemos nem enviamos medicamentos. Não é burocracia nem excesso de cautela: é a diferença entre tratar e parecer tratar.
Contraceção e proteção: o que cada método cobre
Vale a pena separar duas coisas: evitar uma gravidez e evitar uma infeção. A pílula, o anel, o adesivo, o implante, o DIU e a contraceção de emergência atuam sobre a fertilidade e não oferecem qualquer proteção contra IST. O preservativo, masculino ou feminino, é o único método contracetivo que reduz também o risco de transmissão, e reduz mais nas infeções que passam por fluidos (VIH, gonorreia, clamídia) do que naquelas que se transmitem por contacto de pele (herpes, HPV, sífilis), que podem ocorrer em zonas que o preservativo não cobre.
Daí a chamada dupla proteção: um método contracetivo eficaz para a gravidez e preservativo para a infeção, sobretudo com parceiros novos ou não testados. Se houve uma relação desprotegida recente, a contraceção de emergência tem prazos definidos: o levonorgestrel pode ser tomado até 72 horas depois da relação e o acetato de ulipristal até 120 horas, e ambos são tanto mais eficazes quanto mais cedo forem tomados. Em Portugal dispensam-se na farmácia sem receita médica, sem esperar por avaliação online.
A vacinação contra o HPV, incluída no Programa Nacional de Vacinação para raparigas e rapazes, acrescenta proteção contra os tipos mais associados a cancro e a verrugas genitais. Para quem tem risco continuado de infeção por VIH existe a profilaxia pré-exposição (PrEP), disponível no SNS mediante avaliação clínica presencial. Começar, manter ou mudar de método contracetivo é o tipo de pedido que podemos avaliar por escrito; para começar contraceção hormonal, o médico avalia a história clínica e familiar e pode pedir uma medição recente da tensão arterial ou recomendar observação presencial.
O que a Receita Viva pode e não pode fazer neste tema
A Receita Viva funciona por formulário escrito. Não há videochamada, chamada telefónica nem marcação de hora: descreve a sua situação, o Dr. Damian Wojno (médico inscrito na Ordem dos Médicos da Polónia, em Olsztyn, licença profissional 3211301) avalia o pedido por escrito e responde por e-mail. Quando conclui que a prescrição é adequada, a receita segue em PDF como receita transfronteiriça, ao abrigo da Diretiva de Execução 2012/52/UE.
Não é uma receita portuguesa: não tem código PIN, não usa número de utente nem o sistema do SNS, e na farmácia identifica-se com cartão de cidadão, passaporte ou título de residência.
Duas ressalvas honestas. A decisão é clínica e pode ser negativa, pelo que ninguém pode garantir prescrição. E o farmacêutico mantém a sua própria margem de decisão sobre a dispensa, podendo recusar se tiver dúvidas fundamentadas.
Quanto ao pagamento, a taxa cobre a avaliação médica e não a emissão de um documento. Se o médico recusar por motivos clínicos ou legais, devolvemos o valor pago. Se o médico lhe pedir documentação clínica, tem pelo menos 7 dias para a enviar e lembramos-lhe o prazo; se não for possível concluir a consulta, reembolsamos a totalidade.
Neste tema, o pedido que faz sentido enviar-nos é sobre contraceção, não sobre o tratamento de uma infeção ativa.
Revisão clínica: Dr. Damian Wojno (Ordem dos Médicos da Polónia, secção de Olsztyn, licença profissional n.º 3211301) · Atualizado em · Linhas editoriais · Operador: MEDINOW Sp. z o.o.. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta médica.
Perguntas frequentes
Não. O tratamento de uma IST depende de análises que identifiquem o agente, e vários esquemas recomendados incluem medicação administrada por injeção num serviço de saúde. Prescrever apenas a partir de uma descrição de sintomas arriscaria tratar a infeção errada, mascarar outra e favorecer resistências. Nestes casos indicamos o centro de saúde, um CAD ou, se houver sinais de gravidade, o serviço de urgência.
Depende da infeção e do tipo de teste. Cada uma tem um intervalo inicial em que o organismo ainda não produz aquilo que a análise procura, pelo que um resultado negativo demasiado precoce não é conclusivo. Na prática, é frequente testar quando surge a suspeita e repetir algumas semanas depois. No centro de saúde ou num CAD recebe indicação concreta sobre o calendário adequado ao seu caso.
Nos Centros de Aconselhamento e Deteção Precoce da Infeção VIH (CAD), o teste do VIH é gratuito e confidencial, muitas vezes anónimo e sem marcação; vários centros testam também sífilis e hepatites. Pelo centro de saúde, as análises são pedidas pelo médico de família nas condições do SNS. Em laboratório privado, paga-se. As regras variam de centro para centro, por isso confirme antes de se deslocar.
Se houve risco de exposição ao VIH, procure hoje um serviço de urgência hospitalar: a profilaxia pós-exposição é avaliada aí e deve iniciar-se o mais cedo possível, em regra dentro das primeiras 72 horas. Se houver risco de gravidez, a contraceção de emergência dispensa-se na farmácia sem receita, até 72 horas no caso do levonorgestrel e até 120 horas no do acetato de ulipristal. Depois, agende rastreio de IST. Em caso de dúvida, ligue para a Linha SNS 24, 808 24 24 24.
Não. A contraceção hormonal, o DIU e a contraceção de emergência atuam sobre a fertilidade e não têm qualquer efeito sobre a transmissão de infeções. O preservativo é o único método contracetivo que reduz também esse risco, com maior eficácia nas infeções transmitidas por fluidos do que nas que passam por contacto de pele. Usar os dois em conjunto é o que se chama dupla proteção.
Não. Trabalhamos com documento de identificação: cartão de cidadão, passaporte ou título de residência. O documento que pode resultar da avaliação é uma receita transfronteiriça em PDF, ao abrigo da legislação europeia, e não uma receita do SNS: não tem código PIN nem fica registada no sistema português. Leve à farmácia o mesmo documento de identificação que indicou no formulário e tenha em conta que o farmacêutico pode recusar a dispensa se tiver dúvidas fundamentadas.
A taxa cobre a avaliação médica, não a emissão de um documento. Se a recusa for por motivos clínicos ou legais, devolvemos o valor pago. Se o médico lhe pedir documentação clínica, tem pelo menos 7 dias para a enviar e lembramos-lhe o prazo; se não for possível concluir a consulta, reembolsamos a totalidade. Dizemos isto antes do pagamento para que ninguém decida com uma expectativa errada sobre o que está a comprar.
Regra geral, sim, quando se confirma uma IST bacteriana. Tratar apenas uma das pessoas costuma levar a reinfeção assim que as relações recomeçam. Faz parte do plano avaliar os parceiros dos últimos meses, suspender as relações durante o período indicado pelo clínico e, em algumas infeções, repetir o teste semanas mais tarde para confirmar que a cura ocorreu.
- Prestador registado entidade inscrita em registo oficial de prestadores de saúde
- Decide um médico cada pedido é avaliado por um médico, licença profissional 3211301
- Tudo por escrito sem videochamada e sem marcação
- Devolução em caso de recusa devolução do valor em caso de recusa por razões clínicas ou legais
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